Hoje estava no comboio quando dei por mim a pensar: “olha, uma expressão engraçada – e ainda por cima com a vantagem de poder ser utilizada para descrever quase todos os políticos portugueses – é: o tipo é tão incapaz como um eunuco que tenha por missão copular um harém”. Assim se passam as monótonas viagens de comboio.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Devaneios de comboio
sábado, 26 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Um dia triste para a liberdade religiosa
A Suíça aprovou ontem, por mais de 57 por cento dos votos, os apelos da extrema-direita para que seja proibida a construção de novos minaretes no país.Apenas quatro apontamentos:
1- Na Suíça há somente 4 (!) minaretes num total de 180 mesquitas e nenhum deles está actualmente a ser utilizado para o apelo à oração. Se 4 minaretes inócuos são uma agressão do islão militante, uma forma de marcação territorial canina, vou ali e já volto. A histeria em redor da "islamização" do espaço público foi bem aproveitada pela extrema-direita, mas, como refere o Daniel Oliveira, a proibição não resulta de um problema real, mas pura e simplesmente de islamofobia galopante.
2- Como observa a notícia do Público, "alguns dias antes desta ida às urnas, apenas 37 por cento das pessoas consultadas pela televisão estatal DRS se diziam dispostas a apoiar a proibição dos minaretes." Ou seja, muitas pessoas sentiram vergonha de declarar que iam votar ao lado da extrema-direita. Na privacidade da cabina de voto puderam dar rédea solta aos seus medos xenófobos. Isto não é despiciendo.
3- "Na Arábia Saudita não se podem construir igrejas cristãs. Experimentem soar os sinos num Domingo de manhã em Riade." Este argumento é extraordinariamente fraco. Mas o modelo a seguir pela Europa tolerante do século XXI deve ser a monarquia feudal islâmica? Isto passa pela cabeça de alguém?
4- É uma excelente oportunidade para se debater uma das grandes tensões da teoria democrática: o paradoxo entre democracia enquanto "governo da maioria" e democracia enquanto sistema de protecção das liberdades dos indivíduos e das minorias. Ou seja, numa democracia pode uma maioria aprovar uma lei que restrinja os direitos de uma minoria? Se 99,9999% da população votar a favor de uma lei que institucionalize a opressão aos restantes 0,0001%, não será essa lei - que, note-se, resultou de uma votação livre e de uma vontade expressa esmagadora da maioria - antidemocrática?
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