
Sinto-me medíocre. No sentido mais pejorativo do termo. Nunca me doutorarei em Harvard, nunca uma obra minha será exposta num qualquer museu, por mais patético que seja, nunca serei galardoado com um prémio da fundação do inventor da dinamite, nunca serei secretário geral da ONU, nunca um livro meu será estudado numa sala de aulas, nunca escreverei um livro sequer. Morrerei ignominiosamente anónimo. Há tanta coisa que nunca farei ou serei. É uma tortura ter consciência das nossas limitações, da nossa exiguidade. É a tragédia do “homem médio” consciente da sua mediania. Almejar os campos elísios estando acorrentado perpetuamente ao submundo. É assim que me sinto. Nunca me erguerei vitorioso da massa informe. Não possuo o dom genético da inteligência, nem um talento divino para as artes, nem sou inspirado pelas Tágides. Nada.

