
Quando vi pela primeira vez os cartazes do CDS-PP que agora desfiguram as ruas de Lisboa, não pude deixar de soltar um esgar de incredulidade. Estes cartazes são a epítome do populismo e da demagogia e normalmente aparecem associados a partidos de extrema-direita. O cartaz da imagem acima não ficaria travestido se em vez das letras CDS-PP ostentasse a sigla PNR. Sim, eu sei que ver “fáchistas” atrás de cada árvore é uma paranóia muito comum em Portugal – e uma paranóia perigosa, a acreditarmos na fábula do “Pedro e o Lobo” – mas isto é mesmo, vá, “fascizóide”.
Esta do "por que é que os criminosos têm mais direitos que os polícias?" é directamente saída das conversas de café, maravilhosas discussões de olímpico calibre intelectual, acompanhadas pelo néctar e pela ambrósia, respectivamente os imperiais e os tremoços. A frase do cartaz poderia muito bem ser “isto está tudo uma bandalheira, a polícia devia era correr esses gatunos todos ao bastão ou ao tiro", que o seu sentido não seria adulterado. É óbvio que a malta caceteira do “tough on crime” vai ficar deliciada, mas já agora, e como refere a jornalista Fernanda Câncio, seria simpático se o CDS nos explicasse quais são os direitos a cercear aos tais “criminosos” – o que propõem? Execuções sumárias? Espancamentos mínimos (ou máximos) garantidos? Rusgas arbitrárias decididas pelo humor dos agentes? Revistas injustificadas a transeunt… ops, esqueci-me, a criminosos, dado que são todos “criminosos” até prova em contrário, principalmente se tiverem um "aspecto" criminoso? Interrogatórios “musculados”? Isto pode parecer um exagero, mas esta lógica do “eles têm direitos a mais” pode abrir a caixa de Pandora. O Estado de Direito, o direito à integridade física e psicológica, o direito a um tratamento justo e outros que tais não devem ser encarados como uma “maçada” ou como um capricho ou como um choradinho da esquerda laxista amiga dos vadios.

